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Tokenização de ativos: o que é e quais são os impactos para o mercado
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O surgimento das criptomoedas abriu um universo de possibilidades para revolucionar o modo como investimentos e ativos são gerenciados e transacionados. Em boa parte, em virtude da tecnologia por trás delas: o blockchain e o DLT. Esses sistemas permitem o processo de tokenização de ativos. 

O que é tokenização de ativos? Como esse processo funciona? Quais os tipos? Qual a regulação?

O tema é repleto de questionamentos, além de impactos. Falaremos deles neste artigo.

Baixe o infográfico: A evolução dos fundos de investimentos

O que é tokenização de ativos?

Tokenização de ativos é o processo pelo qual um ativo, seja digital ou físico, ganha uma representação digital. Essa representação digital é chamada de token, isto é, uma pequena unidade de código. E um ativo não precisa ter apenas um token. No digital, ele pode ser dividido em vários tokens, mesmo que o objeto não seja divisível no mundo real.  

Esse processo permite que esses ativos sejam transferidos, apropriados e armazenados por agentes digitalmente, mas sem a necessidade de um intermediário legal. 

Então, o que garante a validade da operação com esses tokens ou representações de ativos? 

O blockchain ou DLT aqui são fundamentais: são elas que garantem que, uma vez que você compre um ou mais tokens que representam um ativo, eles sejam seus de maneira imutável, mesmo diante de uma autoridade instituída.

Um exemplo: suponha que você tem uma casa de praia avaliada em R$ 500 mil em Florianópolis, Santa Catarina. Por meio da tokenização você pode converter essa propriedade em, por exemplo, 5 mil tokens, cada um deles representando 1% da casa.

Digamos que você precise de R$ 50 mil, para outro negócio. Você não deseja vender a casa de praia para ter esse dinheiro na mão. Aí é que entra a sacada: você pode negociar os tokens do imóvel. Se alguém comprasse um token, seria dono da porcentagem do ativo que ele representa (1% no caso). 

Parece não fazer sentido ter apenas uma porcentagem de uma casa? No mundo real pode não ter sentido mesmo, mas no universo dos tokens é possível ter uma propriedade compartilhada – ainda que não usufruir dela. Mas, assim como o imóvel, a porcentagem pode valorizar e ser negociada de outras formas. É essa lógica na materialidade e unicidade de um ativo que a tokenização subverte, criando possibilidades de negócio impossíveis no mundo real, como de parte de objetos indivisíveis.  

Como transações no blockchain são imutáveis, os compradores teriam a segurança de ter a parte da propriedade que compraram.

Como a tokenização funciona?

Um token, tecnicamente falando, é um código que referencia um ativo ou parte de um ativo único. O processo de tokenização é feito por meio de blockchain ou de DLT. Por isso, muda de acordo com as características do sistema usado. 

De acordo com a EY, a tokenização de um ativo pode ser explicada da seguinte maneira:

  1. Seleção do modelo de representação do ativo

O modelo de representação envolve o conjunto de atributos que o token precisa ter para identificar as especificidades do ativo que representa. Há vários standards de representação, de acordo com a iniciativa de blockchain subjacente.

  1. Modelagem do ativo

Envolve as informações que serão embarcadas na cadeia, como se há questões legais ou regulatórias envolvidas no ativo, que nível de confiança é requerido nos dados, que informações são essenciais para o processo de negociação e também requisitos técnicos, como de escalabilidade. 

  1. Revisão técnica e de segurança

Uma vez que o código que regula como o ativo vai se comportar no blockchain é lançado, não tem como voltar atrás. Ele é imutável. Por isso, revisões técnicas e de segurança, seja por meio de ferramentas ou de empresas especializadas, são fundamentais.

  1. Implementação

Go live do código do token, em blockchain pública ou privada, dependendo do caso de uso. A partir de agora, outros usuários podem interagir com a função exposta do token.

Quais são os principais tipos de token?

Praticamente qualquer coisa que possa ser transformada em dinheiro pode ser tokenizada. As possibilidades são sem fim, de ativos tradicionais (como fundos de investimento) a ativos exóticos (como times esportivos e até cavalos de corrida). 

Com isso, formam-se dois grandes tipos de tokens:

Tokens fungíveis (FT)

Tokens fungíveis são divisíveis em partes exatamente iguais e intercambiáveis. Por exemplo: um bitcoin é sempre igual a outro bitcoin, um grama de ouro é sempre igual a outro grama de ouro.

Tokens não-fungíveis (NFT)

São ativos únicos e indivisíveis em partes iguais por natureza, e portanto cujas partes não são intercambiáveis. É o caso da casa que demos como exemplo acima, de obras de arte, jóias, vestidos de celebridades e de outros objetos do mundo real. Esses ativos podem ser representados por um único token, mas nada impede que também sejam fracionados em vários tokens (como a casa do exemplo). Como no universo dos tokens o que importa é o valor do ativo, tudo pode ser dividido. 

Existem regulamentações sobre a tokenização de ativos?

A tokenização remove intermediários, no caso de exchanges descentralizadas. Em crypto exchanges centralizadas, elas funcionam como corretoras de valores e a própria Bolsa, facilitando o encontro dos agentes, fazendo a custódia de ativos e outras operações.

Mas o ambiente não tem comunicação com o sistema financeiro, funcionando sem uma regulamentação.

Ainda assim, existe certo direcionamento jurídico. O Bacen se posicionou pela primeira vez sobre o tema em 2014. Já a CVM e a Receita Federal se posicionaram pela primeira vez em 2017. Há projetos de lei desde 2015 tramitando na Câmara sobre o tema. O Senado também se posicionou sobre a regulamentação do mercado de criptoativos.

Tokenização: uma revolução no mercado financeiro

A tokenização de ativos leva a uma escala inigualável a desintermediação, a transparência, a acessibilidade, a liquidez e a eficiência das transações e da gestão de ativos

Para além do entusiasmo, há uma força disruptiva imensa nela. Mas, assim como as possibilidades, o debate está só começando

Leia também o conteúdo: Como o mercado de investimentos está se adaptando ao crescimento da indústria de fundos

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  • José Azevedo 8 de junho de 2022

    Muito válida a contribuição da RTM, para o assunto. Obrigado.

    • RTM 20 de julho de 2022

      Oi, José! Agradecemos o seu comentário. Continue nos acompanhando aqui no blog para ficar por dentro de novas tendências do mercado financeiro!

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