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Tudo que você precisa saber sobre reconhecimento facial

Entenda como funciona a tecnologia de reconhecimento facial, suas aplicações, vantagens e riscos em instituições financeiras

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Já faz alguns anos que observamos as tecnologias de biometria, e entre elas o reconhecimento facial, ganharem espaço no setor financeiro, na esteira do mobile banking. Estamos falando de um mercado que ultrapassou os US$ 3 bilhões em 2019 e que promete crescer 18% ao ano até 2026, de acordo com a Global Market Insights.

Em 2020, com a pandemia e as medidas globais de prevenção, a tecnologia foi alçada a um novo patamar. De acordo com levantamento da FEBRABAN em parceria com a Deloitte, a biometria facial é investimento prioritário para 35% das instituições pesquisadas.

Pudera. É o timing perfeito para o avanço da reconhecimento facial dentro das instituições financeiras: a aceitação nunca foi tão grande. Estudo realizado pela FICO mostra que 86% dos pesquisados estão dispostos a compartilhar dados biométricos com bancos. 

Então, vamos ao tema! Neste post, você entenderá a tecnologia por trás do reconhecimento ou biometria facial, suas aplicações, vantagens e riscos no universo financeiro.

A tecnologia de reconhecimento facial

A tecnologia de reconhecimento facial é viabilizada pela inteligência artificial. Ela funciona por meio de um algoritmo de machine learning, desenhado para escanear e registrar vários pontos do rosto humano – como a distância entre os olhos, a estrutura do nariz e do queixo etc. – e treinado para ligá-lo a apenas um indivíduo.

Para identificar um perfil, a tecnologia compara a face humana escaneada com a imagem que ela já tem sua base de dados, combinação conhecida como um para um. Há ainda a combinação de um para muitos, que determina se a pessoa escaneada tem ou não algum par na base de dados.

De maneira esquemática, seria algo assim:

  1. Captura da imagem por meio de sensores 2D ou 3D 
  2. Qualificação e validação da imagem
  3. Busca no banco de dados (tanto 1:1 quanto 1:Muitos)
  4. Reconhecimento da biometria facial
  5. Ação (autenticação do cliente, acesso a conta, pagamento, liberação de crédito, recuperação de senha do cartão etc.).

Cada ato de reconhecimento é, além disso, memorizado pela inteligência, que pode atualizar o perfil do usuário com novos dados, que vão garantir de fato a sua unicidade e a acurácia do sistema como um todo.

Existem centenas de algoritmos de reconhecimento facial, muitos deles, inclusive, acessíveis gratuitamente.

Onde a biometria facial pode ser aplicada em instituições financeiras?

Há múltiplas possibilidades de uso do reconhecimento facial dentro das instituições financeiras, seja nos bancos físicos ou digitais, seja para funcionários e demais colaboradores ou para clientes, garantindo a segurança e a facilidade de operações como:

  • Reconhecimento de identidade de funcionários e de clientes que acessam a agência e áreas restritas
  • Acesso a contas em caixas eletrônicos e mobile banking
  • Autenticação de transações como pagamentos, saques e depósitos etc.
  • Underwriting.

Leia também: Ataques DDOS: novos riscos e ataques virtuais nas instituições financeiras

Vantagens do reconhecimento facial

Para um setor que entende a importância das novas modalidades em segurança melhor do que qualquer outro, o reconhecimento facial e demais soluções biométricas são vistos como um recurso promissor. Não se trata mais do que as pessoas sabem (a senha), mas de quem elas são. E de maneira muito conveniente, porque não requer memorização. 

Vejamos alguns dos benefícios:

  • Facilitar o onboarding e o atendimento ao cliente
  • Minimizar a fricção na experiência de clientes
  • Personalizar o atendimento em agências
  • Aumentar a segurança de acesso a agências e terminais eletrônicos
  • Reduzir fraudes ligadas a identidade e cartões
  • Diminuir a necessidade de contato 
  • Desburocratizar, dar agilidade e escala a operações
  • Gerar economia em relação a outros tipos de autenticação.

Riscos e limitações da biometria facial

Embora os benefícios sejam muitos e inegáveis, a tecnologia não carece de riscos. Aliás, riscos esses que têm sido o motivo pelo qual cidades como São Francisco e Londres têm impedido ou limitado o uso do reconhecimento facial, sobretudo em locais públicos. Além disso, alguns players têm se negado a vender a tecnologia para governos e empresas têm sido processadas pela coleta ilegal e mau uso de dados.

Vejamos alguns desses riscos:

Taxa de acurácia e bias

Embora estejam em constante evolução em seus desenvolvedores, estudo de final de 2019 feito pela NIST mostra que a maioria dos algoritmos de reconhecimento facial tem maiores taxas de falso positivo do que de falso negativo, sobretudo entre mulheres e entre asiáticos, negros, crianças e idosos.

Isso é um problema, porque, em vez de não reconhecer nenhum perfil quando há imprecisão ou falta de unicidade no perfil, a plataforma apresenta um perfil errado.

Isso inspira, quanto às empresas que comercializam o serviços, a revisão e treinamento constante de algoritmos com uma base variada de imagens e a realização de testes periódicos de acurácia.

Privacidade 

Segundo levantamento da Surfshark publicado em maio de 2020, 109 de 194 países pesquisados usam ou têm a aprovação para usar a tecnologia de reconhecimento facial, sobretudo com a finalidade de segurança. 

Como a tecnologia de reconhecimento facial pode ser usada para monitorar, fotografar e identificar pessoas constantemente, há um risco iminente sobre a privacidade, além dos riscos do armazenamento de dados sensíveis: onde é feito, quem tem acesso e como isso é controlado?

No Brasil, o uso do reconhecimento facial nas instituições financeiras deve observar a LGPD

Reconhecimento facial em tempos de covid-19

Como vimos, o algoritmo de machine learning é treinado para reconhecer pontos específicos do rosto, baseando-se em vários elementos distintos da geometria facial. Mas, com o uso da máscara e, consequentemente, com boca e nariz cobertos, o algoritmo funciona?

Um estudo do National Institute of Standards and Technology – NIST, sediado nos Estados Unidos, diz que o sistema pode falhar. Como boa parte do que o sistema de reconhecimento facial precisa para identificar pessoas está coberto, a taxa de erro ficou entre 5% e 50%

A boa notícia é que, apesar do desafio, nada impede que a inteligência artificial seja treinada para reconhecer a rostos de pessoas com máscaras também. Segundo a CNET, isso tem impulsionado as companhias de reconhecimento facial do mundo inteiro.

Reconhecimento facial em instituições bancárias: será o novo normal?

Já sabemos que o reconhecimento facial deixou de ser tendência para virar realidade dentro das instituições financeiras e em vários outros setores. 

Embora a confiança na tecnologia esteja aumentando, por ora ela ainda deve ser usada de maneira suplementar, junto com outros processos e não para substituí-los. O refinamento e desenvolvimento da tecnologia devem continuar em curso, para elevar seu nível de maturidade.

Agora, a chave para o sucesso da tecnologia em instituições financeiras será criar sistemas que obedeçam a seus processos e se beneficiar das vantagens inegáveis da tecnologia sem infringir os direitos tanto de pessoas quanto de outros negócios. Para saber mais sobre esse tema e conhecer novas tecnologias e inovações, continue acompanhando nosso blog.

Leia também: Inteligência artificial no mercado financeiro: desafios e oportunidades

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