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RTM realiza Conferência Blockchain - 07/10/2016

Marcos Muller, Coordenador do Darwin StarterPara estimular a troca de ideias e promover conhecimento, a RTM organizou no dia 14 de setembro, no auditório do Cubo em São Paulo, a Conferência Blockchain, reunindo 135 pessoas entre gestores de TI e Telecom, autoridades, fornecedores, parceiros e startups.

Participaram como palestrantes no evento Edilson Osório, CEO da Original My, Robert Sagurton, Diretor da R3 CEV, Marcelo Yared, Chefe do Departamento de Tecnologia do Banco Central, Joaquim Kavakama, Superintendente Geral da CIP; Rony Sakuragui, Gestor de Pesquisa e Inovação do Banco Bradesco, Maurício Sallas, Chief Enterprise do Itaú-Unibanco, além do Diretor de Inovação da Accenture, Guilherme Horn.

Em seu discurso de abertura, o Diretor Geral da RTM, André Mello, agradeceu a presença de todos e apresentou as iniciativas do Programa de Inovação Conecta RTM, lançado em agosto deste ano, com o objetivo de proporcionar um ambiente criativo através de um ecossistema cooperativo para gerar inovação que resulte em soluções para os clientes.

Marcos Muller, Coordenador do Darwin Starter O primeiro expositor, Edilson Osório, fez uma breve introdução ao blockchain, enfocando a história, o funcionamento, o conceito de descentralização das transações e governança.

Segundo ele, trata-se de um livro de registros público onde ficam armazenadas todas as transações efetuadas. Como infraestrutura de suporte, armazena de forma descentralizada os registros de transações que aconteceram na história; não depende de uma entidade central para funcionar, gerir ou definir regras; e está presente em todo o planeta.

Edilson destacou ainda o poder do blockchain para usos além da criptomoeda, como tecnologia autônoma, poderosa, capaz de gerir recursos financeiros e regras de negócio, melhorando a eficiência da governança, bem como o potencial do DLT, distributed ledger, de alterar o modelo de prestação de serviços financeiros.

O conceito DLT possui grande potencial disruptivo aos serviços financeiros atuais, pois propõe total descentralização, imutabilidade, transparência e auditabilidade, gerando eficiência e redução de custos. Outro pilar é o consenso, que, em rede distribuída, possibilita controle de integridade.

Nada pode ser alterado ou removido, somente adicionado. “É uma transferência de confiança em um mundo desconfiado.”

Marcos Muller, Coordenador do Darwin StarterEm sua exposição, Robert Sagurton afirmou que o Brasil está preparado para ser um líder em blockchain, pois possui características únicas: as redes de contatos já foram construídas e estão ativas; os papeis e responsabilidades estão definidos; entidades governamentais e órgãos reguladores estão envolvidos; e há colaboração nos setores público e privado. “Blockchain já é uma realidade, é o novo mundo, é trabalhar junto e fazer cada vez melhor”.

Marcos Muller, Coordenador do Darwin StarterO Chefe do Departamento de Tecnologia do Banco Central, Marcelo Yared, relacionou possíveis impactos da nova tecnologia no sistema financeiro: contratos inteligentes; atualizações em tempo real de títulos e juros; acesso múltiplo simultâneo; assimetrias eliminadas, atualizações em tempo real de garantias; movimentação de títulos e ativos em minutos; eliminação de intermediários em alguns tipos de contratos; e monitoração do regulador em tempo real.

Destacou as oportunidades e os riscos envolvidos: eficiência x falta de flexibilidade; agilidade x desempenho; transparência x falta de privacidade; redução de custos de observância e regulação x desrespeito às normas; resiliência x governança complexa; e segurança contra fraudes x escalabilidade.

Em resumo, o Banco Central está atento à nova tecnologia realizando estudos. “A hora é de observar e pesquisar. Todos os envolvidos têm muito a ganhar.”

Marcos Muller, Coordenador do Darwin StarterJoaquim Kavakama, Superintendente Geral da CIP, iniciou sua apresentação falando que a Câmara acompanha o tema desde 2012. Em sua palestra, ressaltou a mudança de paradigma do cenário atual para a adoção do blockchain e listou os desafios da nova tecnologia, como falta de padrões, escassez de desenvolvedores, integração dos sistemas legados, escalabilidade, privacidade e segurança, gerenciamento de mudança, regulação ainda não definida, requerimento de compliance, interferência do governo, entre outros. Segundo ele, blockchain não mudará o mundo financeiro, mas resolverá muitos problemas atuais. A CIP ainda está em fase de experimentação com a tecnologia para depois decidir como e onde aplicá-la. “É preciso um ambiente regulatório apropriado para que a tecnologia possa ser 100% utilizada.”

Rony Sakuragui, Gestor de Pesquisa e Inovação do Bradesco, falou sobre os investimentos em blockchain, destacando como vantagens obter know-how, custo relativamente baixo e possibilidade de estabelecer parcerias em estado inicial, bem como influenciar no ecossistema a ser criado. Em contrapartida, pouco se sabe sobre a regulação para o setor, e a tecnologia ainda permanece imatura, sem muitos cases em produção.
Citou os atuais investimentos em blockchain destinados a alocação de times internos, participação em consórcios, em empresas, parceiros e fornecedores.

Nas considerações finais, reforçou alguns pontos: há diversas formas de investimento em blockchain; grandes bancos e instituições financeiras têm investido, ainda que timidamente, na tecnologia; e a necessidade de preparar um time interno para atuar como conselheiro no tema. “Blockchain não é apenas adoção de tecnologia, é também associação colaborativa entre partes.”

Marcos Muller, Coordenador do Darwin StarterMaurício Salas, Chief Enterprise do Itau-Unibanco, falou sobre os obstáculos para a adoção da nova tecnologia, como a inexistência de implementação de expurgo dos dados por conceito, o baixo número de transações confirmadas por segundo, confidencialidade dos dados, a não identificação do cliente que está transacionando, a indefinição de responsabilidade e possibilidade de atualizações em caso de problemas, tendo em vista a descentralização e imutabilidade. “Estamos no início de uma nova revolução tecnológica cujo impacto é muito significativo.”

Ao final do evento, o Diretor de Inovação da Accenture Guilherme Horn foi mediador no debate entre os palestrantes e a plateia.http://www.rtm.net.br/blockchain.