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Compliance bancário: quais são os maiores desafios e como solucioná-los
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Dado o alto nível de regulação do setor financeiro, o imperativo do compliance bancário é rotina nas instituições. Tampouco surpreende que boa parte dos gastos seja para mantê-lo. Tanta prática, no entanto, não implica que a adequação seja simples para os bancos. Pelo contrário.

Primeiro, porque o ambiente regulatório muda muito rapidamente e, devido a novidades ou revisões do regulador, surgem continuamente necessidades de reestruturação dos mecanismos de compliance. Depois, porque é notório o aumento do nível de exigência ética dos stakeholders, pressionando as instituições por uma conduta irreparável, além do básico, que é seguir a legislação à risca. Com isso, o volume e a complexidade dos itens com os quais os bancos têm de entrar em conformidade é crescente.

Por motivos como esses, as instituições estão sob a constante mira dos reguladores. Só em 2020, o valor de multas bateu a marca de US$ 15 bilhões, US$ 9,33 milhões dos quais no Brasil, segundo a Finbold. O principal motivo das sanções: falhas em políticas de combate à lavagem de dinheiro.

Mas quais os desafios que as instituições enfrentam para entrar em compliance? É o que veremos no artigo de hoje.

O que é compliance bancário?

Em sentido estrito, compliance é estar em conformidade com as leis vigentes, sejam elas dos reguladores externos, sejam da própria instituição. Nesse sentido, é o que a instituição faz para prevenir, identificar e responder a quaisquer riscos ou violações regulatórios. 

Mas há um sentido mais amplo de compliance, em que ele tem a ver com a conduta e cultura da instituição, englobando todas as suas práticas de governança. Dessa forma, o compliance é bem mais abrangente, conectando-se à identidade organizacional e aos objetivos estratégicos da instituição. 

Os objetivos do compliance são múltiplos, desde mitigar riscos, evitar sanções dos reguladores e danos à sua imagem até posicionar-se no mercado como um player limpo e confiável, tornando-se mais atraente para investidores e para os clientes.

Daí o compliance bancário ser muito mais do que um mal necessário que pode inclusive afetar o crescimento das instituições. É uma forma de se diferenciar no mercado. Com iniciativas como o sandbox regulatório, é uma maneira de trabalhar junto com o regulador para minimizar riscos e ampliar resultados.

Saiba mais: 3 dicas para fortalecer a governança corporativa e o compliance

Quais são os maiores desafios relacionados ao compliance bancário?

O compliance é tratado dentro de um programa que perpassa a organização, cujas práticas são adequadas ao porte, complexidade, estrutura e perfil de risco. No setor financeiro em particular, a estrutura da área à frente do programa também é regulamentada. Quanto maior a instituição, mais complexo ele é. Alguns desafios, no entanto, costumam ser comuns, independentemente do porte.

  1. Transformação digital feita às pressas


As instituições estão estendendo o escopo de suas atividades por meio de uma transformação digital feita às pressas, para viabilizar o trabalho remoto da equipe, atender a alta demanda por serviços digitais,  assim como implementar soluções baseadas em volumes altos de dados. 

Essa evolução, de todo boa para o segmento, nem sempre está sendo acompanhada pelo investimento adequado em uma avaliação de risco em compliance consonante com o modelo de negócio. 

Com isso, estão encarando novos riscos e assumindo uma atitude reativa em segurança.

  1. Falta de conhecimento regulatório dos fornecedores 


O compliance bancário é complexo, e a necessidade de conhecimento sobre o ambiente regulatório, assim como seus impactos sobre a instituição, deve se estender aos fornecedores de serviços e produtos para o segmento. Não é sempre o que acontece. Isso inspira a atenção constante das instituições, que precisam solucionar sozinhas quaisquer problemas relacionados, sem responsabilidade compartilhada.

Adotar fornecedores que entendam a regulação pode facilitar e acelerar as coisas, além de dar efetividade. 

  1. Falta de um framework de compliance de ponta a ponta


A falta de uma visão integrada dos riscos torna o gerenciamento das ações pouco coordenado, resultando em implementações inconsistentes e incompletas, além de um custo maior nas iniciativas. 

  1. Falta de conexão do compliance com o processo de tomada de decisão sobre o negócio


O setor de compliance bancário precisa manter sua independência em relação às operações. Porém, fazê-lo como parte da agenda da instituição. 

Nesse sentido, a área de compliance apoia o processo de tomada de decisão, estando alinhada com a estratégia e tomando parte da construção da instituição. Ele age como um conselheiro, com um viés altamente crítico, de negócios.

  1. Falta de equipe e habilidade interna


As instituições carecem de profissionais na área de compliance bancário. E, no entanto, tampouco têm um plano para capacitar sua equipe para isso. Falta compreensão das operações de negócios, das regulações subjacentes e das boas práticas de um programa de compliance, o que as torna dependentes de consultores externos e encarece o programa. 

Criar expertise interna para difundir a cultura do compliance pela organização está diretamente relacionado à adesão e ao sucesso ao programa.

Compliance bancário: de imperativo ao valor corporativo

As mudanças no ambiente regulatório e pressões de stakeholders continuam a dar vigor à agenda de  compliance bancário. Mas também mostram que os programas vão além de ser um mal necessário. O compliance gera efeitos positivos sobre a imagem e os negócios das instituições. 

No entanto, desafios, sobretudo em direção à transformação do compliance para um universo de instituições digitalizadas, não faltam.

Para continuar a falar do assunto, leia também o whitepaper Compliance para meios de pagamento: regras e penalidades

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