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RTM reúne especialistas para debater blockchain com o mercado financeiro - 21/11/2017

RTM reúne especialistas para debater blockchain com o mercado financeiroComo parte das iniciativas do Programa de Inovação Conecta RTM, foi realizada a II Conferência Blockchain para fazer um balanço da tecnologia após a primeira edição realizada em 2016.

A RTM realizou no dia 25/10, no auditório do Cubo em São Paulo, a II Conferência Blockchain, reunindo mais de 130 pessoas entre gestores de TI e Telecom, autoridades e parceiros.

O evento teve como palestrantes Robert Sagurton, Diretor da R3 CEV; Marcelo Yared, chefe do Departamento de Tecnologia do Banco Central; Cassio Damasceno, Gerente de Negócios da CIP; Jochen Mielke de Lima, Diretor de TI da B3; George Marcel Smetana, consultor de Pesquisa e Inovação do Banco Bradesco; Adilson Fernandes da Conceição, Gerente de Arquitetura Enterprise do Itaú-Unibanco, além do Diretor de Inovação da Accenture, Guilherme Horn, mediador da Conferência.

No discurso de abertura, o Diretor Geral da RTM, André Mello, apresentou as iniciativas do programa Conecta RTM, lançado no ano passado, com o objetivo de criar um ecossistema cooperativo, gerando inovação que resulte em soluções para os clientes. Dentre as ações, merece destaque o Desafio RTM, projeto que analisou 52 startups das verticais Telecom/TI, Conectividade e Fintech, além do projeto Darwin Starter, que acelerou 20 startups em Florianópolis.

A Modernização do Mercado Financeiro Brasileiro - R3 CEV

A visão de rede descentralizada está cada vez mais clara no País. A constatação é de Robert Sagurton, da R3 CEV, “A plataforma DLT (distributed Ledger technology) reduz a dependência excessiva de uma central de processamento ao mesmo tempo em que incentiva novas soluções. Não é possível ignorar alguns fatos: necessidade de reinvenção de processos de negócios legados, condução de padrões através da colaboração e abertura da rede financeira à inovação externa”, afirmou. Para ele, o Brasil reúne condições para ser um líder global em DLaT, pois tem histórico de colaboração em rede e serviços compartilhados; dispõe de um grupo de trabalho Febraban sobre blockchain, reguladores engajados e problemas que podem ser resolvidos pela tecnologia.

A R3 lidera o consórcio mundial de instituições financeiras que colaboram para desenvolver uma plataforma para a indústria financeira e aplicações comerciais para distributed Ledger technology (DLT). Sobre a plataforma Corda, Sagurton explicou que se trata de um protocolo Blockchain, desenvolvido para organizações financeiras para reduzir custos de transações comerciais. Isto é viável pelo fato de as empresas poderem fazer transações diretamente através do uso de contratos inteligentes, garantindo um alto nível de confidencialidade e segurança às operações. Sua principal característica é que não usa Blockchain no sentido usual da palavra. Em vez disso, são utilizados nós notários especiais. As transações realizadas em Corda não são transmitidas para todos os participantes. As entradas no banco de dados estão disponíveis apenas para os membros da rede que têm o direito de visualizá-los e gerenciá-los. As vantagens são muitas: privacidade de dados, fácil integração, consenso, foco em regulação e contratos inteligentes.

A R3 tem oferecido treinamento para mais de 600 desenvolvedores no mundo todo. “Fornecer treinamento sobre o Corda no mercado, através de múltiplos canais de entrega, é a chave para o nosso sucesso”, concluiu o diretor da R3.

Blockchain: Desafio Colaborativo - CIP

Cassio Damaceno, Gerente de Negócio da CIP, ministrou a palestra “Blockchain: Desafio Colaborativo”, ressaltando que a Câmara acompanha o tema desde 2012. Em sua palestra, fez um balanço da evolução da tecnologia até hoje, destacando a atuação da CIP e os cenários nacional e internacional.

Integrante do GT Febraban sobre blockchain e em conversações para participar do Consórcio R3, a CIP entende que colaboração é a chave para o sucesso. “É impossível e inútil fazer uma rede de blockchain em um único banco”.

Segundo Cássio, o principal desafio é formar conhecimento. É preciso ter mão de obra especializada em blockchain: “Não temos programadores suficientes no mercado. Precisamos andar. O mundo lá fora não está parado. Vejo um futuro brilhante para o Brasil. A CIP está totalmente inserida neste processo, sempre à disposição para ajudar”, concluiu.

Blockchain: a Visão do Banco Central do Brasil - Banco Central

Em sua exposição, o Chefe do Departamento de Tecnologia do Banco Central, Marcelo Yared, apresentou caso de uso do Laboratório de Inovação, grupo de trabalho formado no Departamento de Tecnologia da Informação do BC com foco em tecnologia, responsável por pesquisar as vantagens da utilização do Distributed Ledger Technology (DLT), a tecnologia do blockchain.

A primeira fase do estudo se concentrou no case SALT (Sistema Alternativo de Liquidação de Transações), Sistema de Contingência ao Sistema de Transferência de Reservas - STR, no qual o DLT é uma alternativa viável. O protótipo funcional em plataforma de nuvem trouxe os seguintes resultados: sigilo de saldos e transações por criptografia; instituições financeiras que operam independente da infra do BC; BC pode monitorar todas as transações; garantia de saldos positivos na presença do BC; e bloqueio de transações e IFs, por não cumprir as regras.

A segunda etapa focou em ampliar os estudos, avaliar outras plataformas com foco na privacidade, acompanhar a atualização das plataformas disponíveis e documentar o trabalho desenvolvido, e suas aplicabilidades. Foram estudadas as Plataformas Fabric, Quorum e Corda.

Para Yared, há pontos de atenção: a prova de conceito mostrou o potencial da tecnologia; sigilo dos dados precisa ser aperfeiçoado; ainda não atingimos simultaneamente: privacidade de saldo e transações, garantia de saldo positivo, independência de nó central.

Em suas considerações finais, destacou que a tecnologia DLT ainda está em maturação, apresentando potencialidades em cenários de resiliência. “O Banco Central continuará os estudos sobre a tecnologia para garantir a segurança. O BC trabalha há mais de 20 anos de forma colaborativa. Sem dúvida, A colaboração é o ponto chave para acelerar o aprendizado e o trabalho conjunto com o SFN/Fintechs”, finalizou Yared.

A Visão da B3 sobre a tecnologia Blockchain - B3

Jochen Mielke de Lima, Diretor de TI, apresentou a evolução das inciativas da B3 sobre blockchain. Desde março de 2016, a B3 mantém um grupo multifuncional que está estudando a tecnologia e tem trabalhado em diversas frentes, avaliando os casos de uso e desenvolvendo protótipos em diversas plataformas. Em setembro, a B3 filiou-se à R3 e participa do GT Febraban, tendo como objetivo trabalhar em conjunto com outras instituições para acelerar o desenvolvimento da tecnologia de DLT e suas aplicações.

Segundo Jochen, já foram realizadas provas de conceito de uma central depositária e registro de garantias imobiliárias na tecnologia Ethereum, e cadastro unificado na tecnologia CORDA - que é a utilizada no consórcio R3 - e Hyperledger/Fabric - dentro do contexto da Febraban.

As características de cada plataforma podem ser mais favoráveis a diferentes casos de uso: o Ethereum, por exemplo, é uma plataforma não permissionada que possui ótima aplicabilidade para casos como crowdfunding, enquanto que CORDA é uma plataforma permissionada que tem por desenho uma aplicabilidade melhor para o mercado financeiro. Porém, o executivo destaca que não deverá haver somente um dominante no futuro, mas sim padrões específicos para os seus casos de usos, sendo que a interoperabilidade entre eles deverá ser um fator muito importante.

A estrutura do ecossistema também foi destacada, mostrando os diferentes padrões cujo foco vai de aumento de eficiência até possibilidade de desintermediação.

Para finalizar, o executivo trouxe alguns questionamentos: com relação ao modelo de negócios, é preciso avaliar se irá melhorar processos, quais problemas e riscos podem trazer, e se há realmente a necessidade de ser em blockchain e não em tecnologias já existentes e mais baratas. Sobre a nova tecnologia, importante avaliar se está dominada e provada, e se há pessoal qualificado disponível para desenvolver e suportar as soluções. No que diz respeito a operações e governanças, manifestou a importância de definições sobre responsabilidades operacionais, evolução da plataforma e mudanças regulatórias. Por fim, teceu considerações sobre segurança de informação, preocupação que surge com ledgers públicos, e possibilidades de quebra da criptografia.

Avanços em Blockchain e Distributed Ledger - Bradesco

George Marcel Smetana, Consultor de Pesquisa e Inovação do Banco Bradesco falou sobre conceitos que envolvem a tecnologia. ‘Block chaining’ é uma estrutura de dados onde o registro atual depende “criptograficamente” de informações do registro anterior, criando encadeamento. A alteração de um implica a alteração dos subsequentes. É impossível alterar um registro passado sem que isso seja detectado. Já Distributed Ledger é um novo paradigma de arquitetura de sistemas distribuídos multipartite, no qual as partes envolvidas em uma transação possuem a mesma visão da verdade, assegurada pelo sistema by design, através de regras de consenso definidas pelo modelo de negócio. O Blockchain é a combinação de Distributed Ledger com ‘block chaining’.”

Na sequência, o consultor avaliou que blockchains públicos e privados vão coexistir, assim como as plataformas por trás desta tecnologia, sendo que cada uma terá um foco de adoção.

Mostrou a infraestrutura de mercado nacional, destacando a arquitetura atual centralizada e o modelo de negócio decorrente, no qual as entidades centrais são confiáveis e as mensagens são processadas nos nós centrais. Na mudança de arquitetura para Blockchain/Distributed Ledger, há alteração na forma de atuação dos ex-nós centrais e a governança é crítica.

Destacou os tipos de Distributed Ledger: Fully replicated/Simétrico e Partially replicated/Assimétrico /Particionado. No primeiro caso, todos os nós enxergam todas as transações; a privacidade, quando desejada, deve ser garantida por criptografia das mensagens; Já no modelo Particionado, somente as partes envolvidas recebem a mensagem, a privacidade é garantida fisicamente e por criptografia.

No que diz respeito aos problemas enfrentados no modelo simétrico, citou privacidade; escalabilidade; infraestrutura; e desempenho. Já no particionado, as questões são double spend; órgão regulador; alta disponibilidade e disaster recovery: precisam ser construídas, não são nativas (dados não estão replicados).

Para Smetana, inicialmente é necessário avaliar ecossistemas com elementos centrais e intermediários que agregam pouco (ou nenhum) valor à cadeia; negócios que têm problemas de conciliação entre as partes; negócios carentes de sistemas ou com sistemas ineficientes. De qualquer forma, a análise de custo poderá ser sempre um fator determinante.

Sobre o posicionamento do Bradesco acerca do Blockchain, deixou claro que o banco enxerga mais oportunidades do que riscos. Além de integrar o consórcio internacional R3 e o grupo de trabalho da Febraban, a instituição tem concentrado esforços para dominar e disseminar a tecnologia, mapear riscos e oportunidades para a organização, selecionar os casos de uso mais importantes, bem como executar provas de conceito e projetos pilotos.

Estudo de casos e plataformas de Blockchain - Itaú-Unibanco

Adilson Fernandes da Conceição, Gerente de Arquitetura Enterprise do Itaú-Unibanco, explicou o conceito de blockchain: trata-se de um banco de dados (copiado para todos os nós da rede) separado em blocos (com cada bloco contendo detalhes da transação, como o vendedor, o comprador, o preço, termos de contrato, etc.), com cada bloco validado por toda rede (através das chaves criptográficas e do mecanismo de consenso) e conectado a corrente de transações anteriores (desde que o bloco tenha sido validado).

Segundo o Gerente de Arquitetura, o Itaú-Unibanco começou a testar a tecnologia em 2015 com Ethereum, se juntou ao R3 e está a bordo, junto com outros bancos, em um grupo de trabalho da Febraban sobre blockchain. Além disso, mantém um centro de excelência com frentes estratégica, tecnológica e funcional com objetivo de detectar oportunidades, disseminar, mapear cenários e identificar parcerias de negócio e alianças estratégicas.

Adilson apresentou o esquema de funcionamento da nova tecnologia, baseado em provas de conceito com dados fictícios realizadas recentemente pelo Centro de Excelência da instituição, utilizando plataformas distintas.

RTM reúne especialistas para debater blockchain com o mercado financeiroOs vídeos do evento estão disponíveis no canal da RTM no YouTube - https://www.youtube.com/RTMtelecom